
Tem horas em que, ao simples zapear da minha TV, a minha paciência torra.
Depois do "Caso Isabella", agora é a vez da "Tragédia de Santo André". Após 100 horas de seqüestro, a polícia invade o apartamento da Cohab. A jovem Eloá, sob poder de seu ex-namorado, é alvejada. Trazida em estado gravíssimo para o hospital, não resiste a duas cirurgias e morre. Em seu enterro, multidões se aglomeram para solidarizar-se à dor de seus entes; muitas, inclusive, vieram de regiões distantes, sendo que até uma semana atrás muitos destes nem sabiam quem era a tal Eloá.
Para quem me conhece (e para os poucos que lêem este blog, que não é atualizado a meses), sabe que a minha indignação não provém da tragédia em si, mas da forma que ela vem sendo tratada pelos grandes meios de comunicação. O jornalismo das grandes redes de TV virou entretenimento, onde a informação dá lugar à emoção e à catarse, a troco da audiência e do lucro. O sequestro e a morte de Eloá viraram um extenso e impactante folhetim, onde vê-se o drama e a dor da vida real.
Engana-se, desta vez, que o bode expiatório é a (já não tanto)toda-poderosa Rede Globo. Sim, ela apela. Mas a minha hipótese é que o jornalismo da emissora, simbolizado pelo casal Bonner-Bernardes, tá ficando fichinha nesse aspecto perto de outras emissoras. A que vem se superando a cada dia (ou a cada "caso") que passa, é a nossa querida Rede Record de Televisão. Controlada pelo bispo Edir Macedo, da repulsiva Igreja Universal do Reino de Deus, me faz transparecer a hipótese de que o seu "jornalismo" quer demonstrar que o Apocalipse está próximo. Nos últimos dias, quem acompanha a Record acorda, toma café, almoça, lancha, janta e faz suas necessidades fisiológicas junto com Eloá, Nayara e Lindemberg. Qualquer pessoa, nessa ocasião, ou fica acompanhando o "caso", ou então perde a paciência e muda de canal. Ou desliga mesmo a TV.
Saindo do "Caso Lindemberg", me faz lembrar como o "jornalismo" dessa redezinha de TV me enoja. Dizem levar informação. Os jornais regionais da Record, ao menos aqui do Rio, são, ao menos na minha opinião, exemplos de como NÃO se deve fazer jornalismo. Na prática, são uma espécie de versão televisionada daqueles tablóides vendidos a R$ 0,50, que desde a sua estréia, vendem como água no deserto; a diferença é que enquanto esses jornalecos são curtos e concisos em suas "notícias", os telejornais da Record, além daquela estética pretensamente jornalística, por seu horário relativamente longo, costumam repetir as notícias mais "chapa-quente". Por exemplo, se no RJ no Ar (mundo-cão matinal) sai coisa do tipo "mulher morre de bala perdida na Tijuca", tenha certeza que a notícia será reprisada no Fala Brasil, no Hoje em Dia (em rede nacional, devido ao meu ver pouco esclarecido fetiche da grande mídia em mostrar a sanguinolência no Rio de Janeiro), no "Balanço Geral", no "RJ Record" (onde é reprisada pelo menos uma vez por bloco) e por aí vai.
Salve, salve Record. Jesus Cristo é o Senhor.
Não falei ainda daquela praga da Rede TV! ( ou ?). Feliz será o dia em que cassarem a concessão desta tevezinha mixuruca. Sônia Abrão é um urubu travestido de ser humano. Se eu disse acima que o jornalismo regional da Record era exemplo de como não fazer jonalismo, o programa da tia Sônia é um exemplo de como não se fazer TV, sob quase todos os seus aspectos. Ver um segundo de TV sintonizado no canal 6 (aqui no Rio), à tarde, é um exercício de auto-flagelação com o chicote da desgraça nossa de cada dia. Idem àquele gordo do Datena, do antigo "Canal do Esporte".
Tem horas que eu penso que o melhor canal de TV aberta atualmente no Rio (e no Brasil em geral) é a CNT.
Fonte das imagens: Fazendo Media (www.fazendomedia.com). Lá escreve-se muita coisa interessante dsse tipo, embora possuo algumas ressalvas minhas a o que eles escrevem.